Convívio dos Antigos Alunos do Colégio
D. Nuno da Póvoa de Varzim
Portugália-Lisboa
Chegamos à noite a Lisboa. Deixamos o carro no parque do hotel e fomos de táxi jantar à “Portugália” na avenida Almirante Reis. Pedimos a lista e escolhemos o “bife da casa” que nos foi servido com batata frita, ovo a cavalo, fatia de presunto, rodela de pão torrado, azeitonas, pickles, salada de tomate, alface e um molho divinal, cujo segredo não nos foi divulgado. A sala estava cheia. O menu era na maioria o mesmo só numa ou noutra mesa se via arroz de marisco, bacalhau assado na brasa, lagosta, santola, etc. As canecas de cerveja acompanhavam a refeição. Depois do café veio a conta. Dois contos por pessoa.10 Euros. Normal. A factura já indicava o valor na nova moeda. Poucos meses mais e iam desaparecer da circulação as notas e moedas portuguesas com as efígies dos grandes heróis nacionais: mil réis, dez notas, um cruzado, cinco tostões, pertenciam ao passado e agora era a vez do euro. Já o poeta dizia: ”mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Mas vai na mesma falar-se em milhares e milhões. O Reino Unido e a Suíça mantêm as suas moedas: a libra e o franco suíço continuam. Deixamos na bandeja o troco: 300 escudos, 1 Euro e cinquenta cêntimos. O porteiro, à saída, devidamente fardado, fez-nos a continência, demos-lhe a gorjeta, uma moeda de 100 escudos, 50 cêntimos, olhou-nos de soslaio, contava com mais, agradeceu e chamou um táxi para nos conduzir ao “Faia”, no Bairro Alto. Descemos a av.Almirante Reis, Praça do Comércio, av.24 de Julho, Cais do Sodré e subimos pelo Chiado à Rua da Barroca, n.º 56. O ambiente era castiço: vielas antigas, muito estreitas, casas velhas, com a roupa estendida nas varandas, muitos restaurantes típicos, bares, tabernas, encontramos gente bem vestida, gente pobre, gente de diferentes raças e etnias, brancos, negros, mulatos, etc.11 horas. Chegamos ao Faia. Como tínhamos reservado mesa, não tivemos dificuldade em arranjar lugar. A luz era frouxa. A sala estava decorada com motivos do rio Tejo: redes, âncoras, etc. Nas mesas, velas acesas em castiçais de barro iluminavam tenuemente o ambiente. Quadros com lindas vistas de Lisboa ornamentavam as paredes. Reinava o silêncio. Ouvimos fados na voz de Anita Guerreiro, Lenita Gentil e Maria Rosa, acompanhadas à guitarra e viola por artistas consagrados. A nostalgia, o destino, a tristeza e a alegria foram ali realçadas em belas melodias que nos mereceram os maiores aplausos (“Reza-te a sina na palma da mão...”). À uma hora, pagamos a despesa: 4 contos, 20 Euros, pelo champanhe e whisky, preço razoável, atendendo ao bom espectáculo que presenciamos. Depois, o regresso. No dia seguinte, tínhamos que nos levantar cedo para seguir viagem até Évora, onde nos esperavam antigos colegas do Colégio D. Nuno da Póvoa de Varzim, para um almoço de confraternização e uma visita à cidade.
ABILIO FRANCISCO CONDE
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